domingo, 30 de dezembro de 2012

Muito obrigado, apoiadores da cultura




Jones de Abreu (ao centro) com o músico Alex Souza e o cronista Affonso Romanno de Sant'Anna
A temporada do TERÇA CRÔNICA no Café Com Letras chegou ao fim com êxito de público e de mídia. Foram nove sessões quinzenais, entre 28 de agosto e 18 de dezembro, com média final de público de 540 espectadores (60 é a capacidade da casa). Vencedor do Edital Nacional de Incentivo a Programação de Pequenas Livrarias do Ministério da Cultura, esse projeto terminou a temporada com a presença do poeta e cronista Affonso Romano de Sant’Anna, um dos maiores escritores da língua portuguesa.
Com ênfase na formação de leitores, o Terça Crônica colocou em pauta o estilo, a linguagem e o conteúdo de nove crônistas brasileiros misturados a músicas de nove compositores. Foram sorteados 120 livros e realizados dois concursos de estímulo à formação de novos cronistas. O blog www.tercacronica.blogspot.com teve 3.700 acessos no período. Lá, estão as logomarcas dos apoiadores assim como em todo material gráfico. Ao fim e ao começo de cada edição, também agradecemos nominalmente um por um. Isso porque cada uma das empresas que acreditou neste projeto faz parte do êxito do TERÇA CRÔNICA.






terça-feira, 18 de dezembro de 2012

As muitas palavras de Affonso Romano



Última sessão do Terça Crônica recebe o célebre cronista, enquanto o músico Alex Souza entoa composições próprias

Diego Ponce de Leon

Qualquer reverência ganha um sabor especial quando o homenageado está logo ali do lado. Nem sempre é possível. A temporada 2012 do Terça Crônica, que homenageia quinzenalmente cronistas e compositores, encomendou várias reverências. As mais de 400 pessoas que prestigiaram o evento, no Café com Letras — 203 Sul (com capacidade para 60), puderam escutar as leituras dramáticas de textos de Clarice Lispector, Nelson Rodrigues e Lya Luft. Hoje, o ator Jones de Abreu, idelizador do projeto, encara um desafio. Da mesma maneira que os módulos anteriores, Jones fica a cargo da leitura das crônicas selecionadas. Dessa vez, porém, o fará na frente do autor. Affonso Romano de Sant’Anna é o cronista celebrado e estará presente, em carne e osso, para participar deste último encontro do ano.
Affonso desembarca na cidade em estado de graça. Além de participar do Terça Crônica, autografa quatro trabalhos. “Foi um ano muito generoso. Saíram várias coisas: o novo livro de crônicas, Como andar no labirinto, um CD de crônicas de amor (Livro Falante), a 10° edição de Análise estrutural de romances brasileiros e a 4° edição de O canibalismo amoroso, além da versão italiana de O enigma vazio (L’enigma vuoto)”, antecipa.
A presença de Affonso é um anseio recorrente de Jones de Abreu. No que depender do ator, a oportunidade não será desperdiçada: “É mágico terminar essa temporada tão bem-sucedida com ele. Será um importante momento de escuta. Afinal, estarei diante de um dos maiores cronistas e poetas da língua portuguesa”, comemora.

Composições próprias
 
O festejado cronista não é o único homenageado da noite. Este último módulo abre espaço para o músico Alex Souza mostrar o trabalho autoral pelo qual é conhecido na cidade. Parceiro do Terça Crônica desde a concepção, em 2008, Alex costuma brindar os presentes com as canções de compositores selecionados para a temporada. Assim foi durante este segundo semestre. Empunhado do violão, interpretou Rita Lee, Luiz Gonzaga, Vinícius de Moraes, entre outros. Dessa vez, canta o repertório que assina.
“Vou mostrar a última música que fiz, e a primeira”, revela o músico, que pretende passear pela carreira durante o evento. “Quero tocar alguma música do Caraivana (banda de choro e samba que integra), além de Brilho no olhar, uma das vencedoras do Prêmio Sesc de Música Tom Jobim”. Brasiliense, Alex cresceu envolto pelo cosmopolitismo musical da cidade: “Um vizinho escutava samba, o outro Clube da Esquina, um terceiro MPB. Meu mergulho na música começou cedo e variado”. Hora de conferir o resultado desse caldeirão.


Terça Crônica
Crônicas de Affonso Romano de Sant’Anna e canções de Alex Souza. Com o ator Jones de Abreu e com o músico Alex Souza. No Café com Letras (203 Sul). Entrada franca. Classificação indicativa livre.

>> Três perguntas // Affonso Romano de Sant’Anna

Há quem diga que você seja o sucessor de Drummond. Como encara a comparação?
Essa afirmativa generosa da crítica me criou vários problemas. Houve, é verdade, algumas coincidências: o substitui como cronista no Jornal do Brasil, ele gostava muito da tese que escrevi sobre ele (dizia que eu o havia “desparafusado”), chamaram-me para desfilar na Comissão de Frente, quando Drummond foi tema da escola(1987).Mas a coisa pára aí. Aliás, é necessário acabar com essa coisa do “poeta oficial”, parece monarquia, um rei de cada vez. A poesia sopra onde quer.

Sua relação com Clarice Lispector é assídua. De que maneira se relaciona com o trabalho dela?
Minha relação e a da Marina Colasanti (esposa do escritor) com Clarice era especial. Por isso entreguei à Unesp o livro Com Clarice com uma serie de textos e depoimentos. Tínhamos uma certa intimidade com ela: aquela cartomante de A hora da estrela,  nós a apresentamos à Clarice. Conversávamos sempre, Clarice  esteve em nossa casa, dedicou um livro à  nossa filha Fabiana, ia à PUC/RJ a meu convite, enfim, mil coisas. Fizemos com ela aquela preciosa entrevista — Museu da Imagem e do Som/1975 — que os críticos até hoje usam fartamente.

Há relatos de que você seja avesso a aparições. Procede?
Ao contrário. Vivo na estrada. Pertenço à geração de escritores que  a partir dos anos 1970 vararam o Brasil de ponta a ponta em vários projetos, indo aos lugares mais improváveis para falar de literatura e leitura. E quando dirigi a  Biblioteca Nacional (1991-1996), então, era uma loucura, porque juntaram-se os compromissos internacionais.

A vanguarda e a poesia
Aos 28 anos, Affonso Romano de Sant’Anna lançou o primeiro livro, Canto e palavra (1965). Porém, as contribuições literárias começaram três anos antes. O emblemático ensaio O desemprego da poesia (1962) marcou a estreia na escrita. Ele próprio atesta: “Esse foi um texto crucial para mim. Coisa de jovem estudante, quando estava metido, ao mesmo tempo, com as vanguardas e com o Centro Popular de Cultura da UNE”.
Durante a década anterior, ocupou-se com movimentos de expressão poética. Passou alguns anos lecionando e intervindo no meio acadêmico. Assim o fez nos Estados Unidos, no final da década de 1960, e, posteriormente, na PUC do Rio de Janeiro. Portugal, Dinamarca e França também conheceram os cursos ministrados por Affonso. As crônicas, que o tornaram conhecido nacionalmente, começaram pelo Jornal do Brasil e seguiram para O Globo. Atualmente, escreve para o Estado de Minas e para o Correio Braziliense .


“Essa homenagem que fazem agora em Brasília me toca”
Affonso Romano de Sant’Anna, escritor


4 anos
Tempo de existência do projeto Terça Crônica

100
Livros sorteados nesta última temporada

8.000 pessoas
Público do projeto desde o início

60
Cronistas e compositores homenageados







domingo, 9 de dezembro de 2012


POR DENTRO DO PROJETO


4 anos
Tempo de existência do projeto Terça Crônica

8000 mil
Público estimado em 56 sessões

Vencedor do edital Procultura para Pequenas Livrarias 2012, 
Feira do Livro de Brasília 2010, 
Bienal do Livro e da Leitura Brasília 2011, 
itinerância 2009 por escolas públicas de Taguatinga e Ceilândia graças ao Edital de Circulação do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), 
Temporada no Teatro Goldoni 2008

100
Livros sorteados só na temporada Café com Letras

60
Cronistas e compositores homenageados

Projeto se desdobrou no Canto das Letras, programa gravado na TV Câmara com 22 edições gravadas.

DOIS POETAS DAS LETRAS



 
O escritor Affonso Romano de Sant´Anna e o músico Alex Souza encerram, com chave de ouro, a temporada do Terça Crônica no Café com Letras

Poeta e escritor aclamado pela crítica literária como o sucessor de Carlos Drummond de Andrade, Affonso Romano de Sant’Anna conhece bem a responsabilidade em ser cronista. Volta e meia, algum leitor vem ao seu encontro com um jornal recortado, com aura de relicário, já amarelado pelo tempo, para lhe contar como uma frase mudou a sua vida. “Sou um escritor crônico. A crônica foi o primeiro texto que escrevi para jornal aos 16 anos”, lembra o autor de inúmeras coletâneas dedicadas ao gênero como Nos os que matamos Tim Lopes, Perdidos na Toscana e A cegueira e o saber.
Convidado para fechar a temporada do Terça Crônica no Café com Letras, no próximo dia 18 de dezembro, às 20h, no mezanino da livraria da 203 Sul, o escritor vem a Brasília em estado de graça. Além de ser homenageado com leituras de crônicas interpretadas pelo ator e curador do projeto, Jones de Abreu, ele vai autografar quatro livros: a nova obra de crônicas, Como andar no labirinto (L&MP), o áudiolivro Escute amor (Livro Falante) e as reedições do antológico Analise estrutural de romances brasileiros (Unesp) e O canibalismo amoroso. “Este foi um ano generoso para mim. Entreguei ainda à editora da Unesp um livro feito com Marina Colasanti sobre nossa relação com Clarice Lispector”, adianta.
A presença de Affonso Romano de Sant’ Anna em carne, osso e poesia no Terça Crônica é um sonho acalentado pelo ator Jones de Abreu, que começou o projeto de leituras dramatizadas em crônicas a partir da obra do escritor mineiro. “É mágico terminar essa temporada tão bem-sucedida com ele. Ali, ouvindo as suas frases saírem de minha boca. Ele vai poder ainda falar sobre o seu estilo e sua linguagem. Será um importante momento de escuta. Afinal, estarei diante de um dos maiores cronistas e poetas da língua portuguesa”, comemora Jones.
Ao lado das crônicas de Affonso Romano de Sant’Anna, estarão as canções de Alex Souza, parceiro do projeto Terça Crônica desde a sua criação em 2008. Autor de dois discos, o último Capricha na pimenta tem lançamento agendado para o primeiro semestre de 2013, no Clube do Choro, Alex Souza destaca-se em carreira nacional com o grupo Caraivana, nascido do encontro de exímios músicos no verão de Caraíva, Sul da Bahia. “Nesta temporada, Alex tem emprestado a voz e o talento para homenagear grandes nomes da nossa MPB. Agora, é hora de reverenciar este artista, grande orgulho de Brasília”, comemora Jones.
Premiado com o Edital Procultura de Incentivo a Pequenas Livrarias, Terça Crônica atravessou o segundo semestre ocupando quinzenalmente o mezanino do Café com Letras, com público crescente e fiel que lotou as sessões, como nas homenagens a Clarice Lispector e Luis Fernando Verissimo, levando para o local, com capacidade para 60 pessoas, 400 espectadores em oito módulos. Nessa temporada, foram sorteados 100 livros e estimulados os leitores a escreverem crônicas por meio de concurso aberto, que agraciou a iniciante Jamile Guerra e a escritora Gracia Cantanhede. “Tivemos um retorno muito positivo dessa plateia. O Terça Crônica possui como base o estímulo à leitura e ao conhecimento de forma lúdica, leve e divertida, características, aliás, que são da natureza da crônica”, comemora Jones.

TERÇA CRÔNICA
CRÔNICAS DE AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA e CANÇÕES DE ALEX SOUZA. COM AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA, JONES DE ABREU E ALEX SOUZA. DIA 18 DE DEZEMBRO, ÁS 20H, NO CAFÉ COM LETRAS (203 SUL). ENTRADA FRANCA SUJEITO À LOTAÇÃO DA CASA. INFORMAÇÕES: WWWTERCACRONICA.BLOGSPOT.COM. NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS.


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

No doce embalo da delicadeza

Jones de Abreu vai ler crônicas de Maitê Proença, numa noite misturada com canções de Vinicius



MARIANA MOREIRA

Uma noite de encontros suaves e delicadezas femininas. Esse promete ser o tom da Terça Crônica, encontro híbrido de linguagens que, desde 2008, promove o enlace artístico entre um nome literário e um representante da música nacional. Na edição de hoje (4/12), a penúltima do ano, a escolhida é a atriz a escritora Maitê Proença, que será homenageada ao lado de Vinicius de Moraes. A partir de 20h, no Café com Letras (203 Sul), o ator e curador do projeto, Jones de Abreu, fará a leitura de crônicas dela, enquanto a jornalista e apresentadora Márcia Witczak falará sobre a vida e a obra de Maitê.
“Todo mundo conhece a Maitê como atriz, é surpreendente para muitos saber que ela também é escritora”, afirma Abreu, reforçando que a atriz não estará presente. Se os textos pegam alguns de surpresa, eles são uma constante na vida da autora. Desde menina, ela registra em cartas suas impressões de viagens e observações sobre o mundo. Lançou, em 2005, o primeiro livro de crônicas, Entre ossos e escrita e, dois anos depois, finalizou a segunda obra, Uma vida inventada, memórias trocadas e outras histórias, na qual mistura fatos reais à ficção.
Mesmo sem publicar toda a produção, a atriz, musa nacional desde que surgiu nas telas na novela Dona Beija, da extinta TV Manchete, cultiva o hábito de escrever quase diariamente, como quem mantém um diário. “Ela tem uma escrita muito interessante, bem-humorada, mas sem buscar o humor. Tem uma voz muito particular sobre o cotidiano, são reflexões sobre a profissão, sobre situações que ela observa no trabalho, nas ruas, em casa, na praia. Seu texto tira o peso de momentos delicados com uma leve picardia”, analisa Abreu.

O Poetinha
Durante a noite, serão lidas duas crônicas de Maitê, um trecho de um terceiro texto, além de uma obra de Márcia Witczak, que também não faz alarde sobre sua veia literária. Para apresentá-la ao público, Abreu selecionou uma reflexão da jornalista sobre a maternidade, na qual compara seus impulsos de menina e adolescente à necessidade de hoje, como mãe, de controlar as pulsões das crianças.
 As leituras ganharão pinceladas musicais da obra do Poetinha. “Enquanto Vinícius era um romântico, escrevia para seduzir as mulheres, de forma delicada, Maitê defende o feminino sem levantar bandeiras, sem um discurso partidário”, atesta o curador. “Vinícius tem participação grandiosa na minha formação. Sua vida e sua obra são banhadas de histórias emblemáticas para a música brasileira”, destaca Alex de Souza, curador da vertente musical do Terça. Composições como Garota de Ipanema, Samba da Bênção, Regra Três e A casa serão parte do repertório do tributo.

Affonso, na roda
No próximo dia 18 de dezembro, a temporada do Terça Crônica no Café com Letras se encerrará fazendo referência à primeira edição, há quatro anos, ainda no Teatro Goldoni. Na primeira edição do projeto, Abreu levou ao palco as palavras de Affonso Romano de Sant’Anna. Agora,  o ano de 2012 será concluído com a presença do autor comentando a própria obra. “Para mim, a vinda dele tem um valor simbólico muito forte. Há 15 anos, quando participei de um núcleo de contadores de histórias,  escolhi o texto Daltônicos de todo o mundo: uni-vos! para dramatizar. Poderei dizer a ele o quanto seu trabalho é importante para a minha carreira de ator”, destaca.



TERÇA CRÔNICA
Com Jones Abreu, Márcia Witczak e Alex Souza. Crônicas de Maitê Proença e canções de Vinícius de Moraes. Hoje (4/12), às 20h, no Café com Letras (CLN 203). Entrada franca. Não recomendado para menores de 10 anos.


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Energia feminina

 Foto: Divulgação


Com entrada franca, Terça Crônica celebra as crônicas de Maitê Proença  e as canções de Vinicius de Moraes

“Acordei, vesti um longo de paetê verde, preguei uns cílios postiços, enfiei uma peruca loira e fui à praia. Encontrei meu colega de smoking, à frente de um piano de cauda instalado na areia do mar. Cantei, cantei, e voltei pra casa ao pôr do sol. Estranha a profissão do ator. Eu finjo que sou a Maysa e você finge que acredita. Aí eu canto, choro, me angustio, e você ouve chora, se redime. Fazemos de cada lado nossas catarses, e com sorte nessa mão dupla, modificamos um pouco a própria vida.”

Dona de uma narrativa ágil, visual, fluída, Maitê Proença encontrou na linguagem livre da crônica uma forma de expressão que surpreende os fãs da atriz de carreira crescente e respeitada pelo público e pela crítica. Textos, como Vesti um longo e fui à praia, serão lidos pelo ator Jones de Abreu no oitavo módulo do projeto Terça Crônica, dia 4 de dezembro, às 20h, no Café com Letras (203 Sul), com entrada franca.
As leituras dramatizadas se revezam com as canções de Vinicius de Moraes, interpretadas ao violão por Alex Souza. O encontro terá ainda a presença da jornalista e apresentadora Márcia Witczac, que comentará sobre a vida e a obra de Maitê. “Será uma noite de forte energia feminina no ar. Afinal, o Poetinha mergulhava na natureza da mulher com sensibilidade de poucos. O interessante é espalhar a força das narrativas de Maitê”, observa Jones de Abreu, criador e apresentador do Terça Crônica, projeto da Criaturas Alaranjadas Cia. de Teatro.
Desde agosto, quinzenalmente, o Terça Crônica passeia por literatura, música, teatro e bate-papo, num projeto contemplado pelo edital Procultura de Incentivo a Pequenas Livrarias. Ao Café com Letras, tem levado um público eclético, fiel e crescente ao mezanino do Café com Letras. “A resposta dessa temporada tem sido maravilhosa. Toda sessão sorteamos livros e até fizemos um concurso para estimular à feitura de crônicas inéditas. Agora, na reta final, estamos em estado de êxtase com a vinda do cronista Affonso Romano de Sant´Anna, que encerra a programação no dia 18 de dezembro. Ele estará em carne, osso e poesia ao meu lado”, emociona-se Jones de Abreu, que abriu o projeto em 2008, no Teatro Goldoni, lendo crônicas de Affonso.    

Depois da temporada no Teatro Goldoni, Terça Crônica participou da Feira do Livro (2010) de Brasília e da I Bienal do Livro e da Leitura (2012), fazendo também itinerância pelas cidades de Ceilândia e Taguatinga, com patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC). O projeto se desdobrou ainda no Quinta Crônica (de 2008 a 2011) e no programa Canto das Letras, atualmente apresentado mensalmente na TV Câmara.


TERÇA CRÔNICA
Com Jones de Abreu e Alex de Souza. Crônicas de Maitê Proença e canções de Vinicius de Moraes. Participação: Márcia Witczak. Dia 4 de dezembro, terça-feira, às 20h, com entrada franca. Classificação indicativa: não recomendado para menores de 10 anos.






 





terça-feira, 20 de novembro de 2012

Crônicas com sabor de tutti-frutti

 Crônicas revelam um outro Falabella

Rita Lee é a compositora da noite




Diego Ponce de Leon
Correio Braziliense

         Miguel Falabella e Rita Lee são os protagonistas do sétimo módulo do Terça Crônica no Café com Letras (203 Sul). O que deve garantir uma das mais divertidas e animadas noites do projeto. Depois de evocar os textos de Luis Fernando Verissimo, Carlos Drummond de Andrade, Jovane Nunes, Clarice Lispector, Lya Luft e Nelson Rodrigues, o ator Jones de Abreu, idealizador do evento, convoca Falabella para quebrar o protocolo e decretar a informalidade da programação. O encontro acontece hoje, às 20h, no mezanino da livraria, com entrada franca (sujeita à lotação da casa).
 O multiartista carioca, que acumula exitosas funções como diretor, escritor, ator e apresentador, também enveredou pelas crônicas e ampliou os segmentos da arte com o qual dialoga. O resultado pode surpreender os leitores, acostumados com a faceta escrachada e com a predominância da comédia nas intervenções de Falabella. Textos delicados emergem e revelam um olhar particular e denso sobre o cotidiano e sobre as coisas mundanas. O humor e a ironia característicos continuam lá, mas cabe aos mais atentos percebê-los, já que permeiam somente as entrelinhas.
 Para acompanhar as leituras, a igualmente irreverente Rita Lee dá o tom, sob a voz e o dedilhar do músico Alex Souza, que participa do projeto desde a concepção, em 2008, e responde pelas trilhas sonoras. Clássicos da mãe do rock nacional devem embalar a leitura das narrativas de Falabella, resultando em um fervoroso encontro. “São dois artistas que exaltam a vida, as alegrias e as tristezas, sempre com humor e irreverência”, aponta Jones.


Casa cheia
 Seguindo o roteiro tradicional do Terça Crônica, um convidado dá as caras para propor uma conversa entre artistas, público e homenageados. O jornalista e dramaturgo Sérgio Maggio será incumbido dessa função no encontro de hoje. Maggio, ávido consumidor (e dissipador) de música e literatura, conduz um informal bate-papo entre os presentes, além de prestar testemunho pessoal sobre os homenageados.
 Com sessões lotadas tomando conta do Café com Letras (203 Sul), o ideal é chegar um pouco antes e garantir um lugar no mezanino do espaço. A Terça Crônica, que ocupa, de maneira itinerante, os palcos de Brasília há quatro anos, parece ter conquistado um público cativo: “Estamos felizes com a resposta do público. Temos espectadores cativos, que vêm todos os módulos”, destaca o ator, que reside na capital desde a infância. Hoje, com os argumentos literários de Falabella e a animosidade de Rita Lee, não deve ser diferente.

TRECHO//Crônica O amor e o tempo

“Descubro que nada sei sobre o tempo e, como não consigo entender seus intricados mecanismos, estou sempre lançando um olhar equivocado sobre as coisas. Alguém já disse que só seremos capazes de entender o amor no dia em que entendermos o tempo. Até lá, vamos continuar amando de ouvido, eternos repetentes desse curso”
Miguel Falabella


TERÇA CRÔNICA

Textos de Miguel Falabella e canções de Rita Lee, com Jones de Abreu e do músico Alex Souza. Participação: Sérgio Maggio, às 20h, no Café com Letras (203 Sul). Entrada franca. Classificação livre.




quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Miguel Falabella, o cronista

Crônica: Tempos verbais

Clarice Lispector diz que a palavra mais importante da língua portuguesa tem um som de letra: é. E ela tem razão. Não é preciso muito mais para definir-se o momento. É justo. Seco. Bom o bastante para o aqui e agora, sem os temores do será, ou a nostalgia do era que, com o passar dos anos, vai-se fortalecendo e embaralhando a noção de tempo. As rugas que vamos descobrindo na superfície são as pontas de profundos icebergs e, ao tentar mapeá-los, frequentemente, trocamos o é por sua forma no pretérito. Na maturidade, aquilo que era vai ganhando cada vez mais espaço, até que um dia cruzamos a tênue linha que delimita o tempo e avançamos sem medo na direção do passado.

As tempestades da alma, tão comuns na meia-idade, na verdade, são vislumbres do futuro e a bonança, que se segue a elas, sopra o vento das saudades sazonais, que chegam inexoráveis, instalam-se sem aviso prévio, tomam conta de tudo e não têm data marcada para a partida.


Nesses últimos dias, por exemplo, de baixas temperaturas em São Paulo, muitos ensaios e muita correria, o vento trouxe meu pai de volta. Talvez porque a última vez em que tenhamos ficado juntos foi nesse apartamento. Ele dormiu comigo e lembro que conversamos até às tantas; ele me contou novamente o meu nascimento, uma história que ele adorava repetir.

As crianças de olhos azuis nascem com os olhos muito claros e, por um momento, papai acreditou que eu fosse cego. Tio Olavo, que fazia todos os partos da família, dissipou-lhe os medos, mas a história, que ele me contou mais uma vez, na última vez em que estivemos juntos, valeu-me o apelido familiar de olho branco. Curiosamente, aquele homem que era o arquétipo do carioca da gema, que adorava andar de peito nu pela praia da infância, ficou para sempre guardado neste meu apartamento de concreto, que hoje resolveu engolir a noite gelada e sem estrelas.

A cama e o colchão ainda são os mesmos. Eu tento adivinhar-lhe a forma, ao meu lado, naquela noite de alguns anos atrás. Ele ficou viúvo muito cedo e nunca conseguiu superar a perda do amor da sua vida. Foram essas as suas palavras, no corredor do hospital, quando mamãe avançou decidida para o passado. Nunca mais pensou nas coisas do amor, mas, como ainda era jovem, nós fizemos de tudo para que ele se interessasse por alguém. Finalmente, ele arranjou uma namorada e manteve com ela um relacionamento por alguns anos. Um dia, ele almoçava comigo e falávamos dela, quando eu perguntei, assim como quem não quer nada, se ele estava feliz, se gostava daquilo que estava vivendo.

- Você gosta dela, pai? - eu perguntei, atrás da intimidade que, hoje eu sei, tanto eu quanto ele buscamos desesperadamente um no outro.

Papai me olhou, surpreso com a objetividade da minha pergunta, e respondeu sem alterar o tom.

- Ela me dá lanche - ele disse, e deu o assunto por encerrado.

A resposta lacônica virou piada entre os irmãos, mas hoje, escrevendo nessa noite cada vez mais fria, eu entendo a justeza daquela frase. Ela me dá lanche é apenas mais uma tradução do é de Clarice que abriu a crônica. Simples e definitivo. Como a saudade é.

Revista Isto É - 17/06/09

Abraços!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Flores Astrais




Terça Crônica exalta a escrita de Miguel Falabella e as canções de Rita Lee


Miguel Falabella é um furacão. Escreve, atua, dirige e produz para diversas linguagens, sobretudo, teatro e televisão. É sempre possível encontrá-lo em ação em várias criações simultâneas. Showman, dizem que desfia os minutos da vida para transformar ideias em arte.  Há, no entanto, uma faceta do artista que flerta com o outro movimento de vida: o da observação cotidiana. É como cronista que Miguel Falabella aguça o olhar sobre o mundo vertiginoso.
— Descubro que nada sei sobre o tempo e, como não consigo entender seus intricados mecanismos, estou sempre lançando um olhar equivocado sobre as coisas. Alguém já disse que só seremos capazes de entender o amor no dia em que entendermos o tempo. Até lá, vamos continuar amando de ouvido, eternos repetentes desse curso, escreve o autor, na delicada crônica “O amor e o tempo”.

       O lado B de Miguel Falabella é mote do sétimo módulo do Terça Crônica, do dia 20 de novembro (terça-feira), às 20h, no Café com Letras (203 Sul), com entrada franca. Jones de Abreu vai dramatizar narrativas do autor numa noite ladeada pelas canções de Rita Lee, interpretadas pelo músico Alex Souza. “São dois artistas que exaltam a vida, as alegrias e as tristezas, sempre com humor e irreverência”, aponta Jones, criador do projeto da Criaturas Alaranjadas Cia. De Teatro.
Num clima descontraído de talk-show, a dupla recebe o jornalista, escritor e dramaturgo Sérgio Maggio e, juntos, vão exaltar a linguagem, a vida e a obra dos homenageados. Realizado desde agosto no Café com Letras, graças ao edital Procultura de Incentivo a Pequenas Livrarias (Ministério da Cultura), o projeto Terça Crônica tem movimentado o mezanino do espaço com noite dedicada ao prazer da literatura, da música e do conhecimento. “Estamos felizes com a resposta do público. Temos espectadores cativos, que vêm todos os módulos”, destaca Jones.

TERÇA CRÔNICA
LEITURA DE CRÔNICAS DE MIGUEL FALABELLA E INTERPRETAÇÃO DE CANÇÕES DE RITA LEE. COM JONES DE ABREU E ALEX SOUZA. PARTICIPAÇÃO: SÉRGIO MAGGIO. DIA 20 DE JANEIRO, ÀS 20H, NO CAFÉ COM LETRAS (203 SUL). ENTRADA FRANCA. CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA LIVRE.



terça-feira, 6 de novembro de 2012

A vez de Lya Luft e Tim Maia



MARIANA MOREIRA

É provável que Lya Luft e Tim Maia jamais tenham cruzado seus caminhos artísticos. Mas, cada um à sua maneira, ambos tinham os pés fincados no inconformismo e na quebra de padrões. A menina gaúcha que detestava bordar e cozinhar sempre viveu às voltas com os livros. Usa, até hoje, sua prosa delicada e forte para refletir sobre sutilezas, os conflitos, o lado de dentro.
Já o carioca Sebastião Rodrigues Maia transformou-se em um dos maiores ídolos da música brasileira, ao quebrar com a estética arrumadinha da jovem guarda, soltando seu vozeirão influenciado pelo soul, e dando vazão a diferentes vertentes musicais: a romântica, a internacional, a de influência religiosa, na fase Racional. Hoje, os dois filhos do mês de setembro (Lya nasceu no dia 15 e Tim é do dia 28) dividem a homenagem promovida pelo Terça Crônica, programa que mistura música, literatura e bate-papo, a partir de 20h, no Café com Letras (203 Sul).
A sabedoria feminina de Lya, que acaba de lançar romance novo, O tigre na sombra, será defendida pela convidada da noite, a poetisa Isolda Marinho. “Me identifico com a escrita dela, que é simples e cheia de densidade. Essa dualidade me inspira muito. Assim como ela, percebo que tenho pontos de luz, com sombras no caminho”, destaca ela. Um dos temas recorrentes é a relação homem/mulher. “A Lya convoca as mulheres a prestarem mais atenção nos homens, tem uma visão positiva do masculino”, afirma.
As crônicas e histórias de Lya, escritora, poetisa, tradutora e acadêmica, serão entremeadas por muita música. A verve escrachada de Tim dará a tônica da noite, com músicas que passeiam por diferentes fases, que vão da melancolia amorosa de Você, Azul da cor do mar, É primavera, ao groove de Guiné Bissau, Moçambique e Angola, além de Imunização racional. “Tim era uma crônica viva. Quem começa a pesquisar a vida dele, começa a se apaixonar até pelas presepadas dele”, destaca o violonista Alex de Souza, curador musical do projeto, que também preparou histórias curiosas sobre a vida e a música do eterno síndico para compartilhar com a plateia.
A seleção de textos ficará a cargo do também curador, Jones de Abreu, responsável pelas leituras dramáticas do Terça crônica. “Me guio muito perla forma como o texto cai na minha boca, tem que ter uma certa teatralidade”, afirma, adiantando que, diante de um extenso levantamento, a escolha de quais obras serão lidas é feita pouco antes do evento. “Lya é muito cotidiana, tem uma literatura pessoal e feminina. Ela vai tocar as mulheres presentes com muito humor”, adianta.


Próxima
rodada

O projeto nasceu em 2008, no Teatro Goldoni e já ganhou até versão televisiva. Canto das letras é apresentado mensalmente na TV Câmara. A edição seguinte do Terça Crônica já tem data e atrações definidas: em 20 de novembro, as crônicas homenageadas serão do ator, diretor e dramaturgo Miguel Falabella, e as canções, de Rita Lee.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A crônica urgente de Lya Luft dia 6/11




Homenageada no Terça Crõnica do dia 6/11, às 20h, no Café com Letras, Lya Luft volta à ficção, a autora aborda o drama existencial humano em um universo onírico
Título: O tigre na sombra
Autor: Lya Luft
Páginas: 128
Preço: R$ 29,90
Com mais de 1,2 milhão de livros vendidos, Lya Luft, que conquistou os leitores com suas crônicas filosóficas sobre a vida e seus mistérios, retorna à ficção com seu novo romance, 13 anos depois de lançar O ponto cego. Autora do sucesso editorial Perdas & ganhos (2003), que permaneceu 113 semanas no topo das listas de mais vendidos, sua última incursão pela ficção foi com o livro de contos O silêncio dos amantes, de 2008, adaptado com sucesso para o teatro. Neste impactante O tigre na sombra, Lya cria de maneira surpreendente um universo de mistério, magia e dramas humanos muito reais, com os quais todo leitor é capaz de se identificar e se emocionar. Apresentando personagens marcantes e um final completamente inesperado, a veterana autora consegue aqui se renovar, mantendo intacta sua magistral capacidade de contar histórias.

Lançamentos:

Porto Alegre: 7 de novembro, quarta-feira, às 19h, na Livraria Cultura do Bourbon Shopping Country
Rio de Janeiro: 13 de novembro, terça-feira, às 19h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon (bate-papo e autógrafos)
Belo Horizonte: 27 de novembro, terça-feira, às 19h30, no Auditório da CEMIG
São Paulo: 28 de novembro, quarta-feira, às 19h, no Teatro da Folha (Shopping Pátio Higienópolis - bate-papo e autógrafos)

terça-feira, 30 de outubro de 2012

A força da palavra




A literatura de Lya Luft escorre como uma boa conversa, daquela que a gente tem ao cair da tarde, rodeada de gente de conselhos sábios e inteligentes. Fala de viver e de estar vivo, do aqui e agora, das alegrias e decepções em seguir o curso de envelhecer com dignidade. São essas narrativas, com o dom de espalhar sabedoria e um ponto de vista feminino e peculiar, que movimentam o sexto módulo do Terça Crônica, do dia 6 de novembro (terça-feira), às 20h, no Café com Letras (203 Sul), com entrada franca, numa noite em que a trilha sonora será entregue às canções deslumbrantes de Tim Maia. A poeta Isolda Marinho é a convidada dessa edição.
Lya Luft e Tim Maia inspiram o ator Jones de Abreu e o músico Alex de Souza a cruzarem artisticamente os caminhos desses dois mestres da cultura nacional. “É um prazer escutar tanto a literatura de Lya Luf, quanto a melodia de Tim Maia. São dois criadores inquietos, que apontam caminhos para que o leitor/ouvinte se movimente”, acredita Jones de Abreu, mentor do projeto concebido pela Criaturas Alaranjadas Cia. de Teatro.
Vencedor do Edital Nacional Procultura para Programação Cultural de Livrarias, o Terça Crônica é um dos projetos de incentivo à leitura mais bem-sucedidos de Brasília. Desde agosto, quinzenalmente, vem levando um público fiel e crescente ao Café com Letras (203 Sul), promovendo uma noite leve, divertida e cheia de conhecimento sobre os homenageados. Na última edição, premiou a espectadora Jamile Guerra em concurso cultural que estimulou os participantes a escreverem um texto literário. “Foi a primeira crônica que ela escreveu, Tarja Preta, com uma narrativa bem-humorada, ágil e cheia de sutilezas. Recebemos dezenas de textos, vindos até de Salvador. Em dezembro, realizaremos outro certame literário”, adianta Jones.
 Criado em 2008 em temporada no Teatro Goldoni, Terça Crônica já participou da Feira do Livro (2010) de Brasília e da I Bienal do Livro e da Leitura (2012), fazendo também itinerância pelas cidades de Ceilândia e Taguatinga, com patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC). O projeto se desdobrou ainda no Quinta Crônica (de 2008 a 2011) e no programa Canto das Letras, atualmente apresentado mensalmente na TV Câmara.
PROGRAMAÇÃO 2012 6 de novembro: Crônicas de Lya Luft e canções de Tim Maia. 20 de novembro: Crônicas de Miguel Falabella e canções de Rita Lee.
4 de dezembro: Crônicas de Maitê Proença e canções de Vinicius de Moraes.
18 de dezembro: Cronista especialmente convidado e canções de Alex Souza.

domingo, 28 de outubro de 2012

Todas as emoções



O Terça Crônica traz o aqui e agora do teatro no gene. O efêmero que atinge a alma de quem está ali, à escuta. Nos últimos dois módulos, Luis Fernando Verissimo e Adoniran Barbosa (11 de outubro) e Carlos Drummond de Andrade e Noel Rosa (23 de outubro), o público experimentou climas distintos. O humor e a ode em viver predominaram entre as crônicas de Verissimo e as canções de Adoniran, enquanto o poético conduziu a noite de narrativas de Drummond e canções de Noel.  

Casa cheia no Café com letras

Alex saúda Adoniran e Jones, Verissimo 

Público sempre atento

Ana Carollina Carvalho lê crônica de Verissimo sob o olhar do poeta, cronista e jornalista José Carlos Vieira

Jones, Alex e Marco Antunes na noite Drummond/Noel

Salve, Noel Rosa!